A lapidação é um trabalho que exige sabedoria, precisão e paciência.
Cada pessoa é um diamante, que vem ao mundo em estado bruto: o trabalho de todos nós é descobrir como se lapidar para se transformar numa pedra preciosa de grande valor.
Nascemos e crescemos com determinadas características : mais explosivos, mais impacientes, tímidos, egoístas, intolerantes, malvados, irritadiços, medrosos ou impulsivos.
No decorrer da vida, muitas pessoas , situações e acontecimentos participam ativamente desse processo de lapidação: os pais e outros membros da família que nos influenciam , o grupo social que nos encoraja ou nos oprime, o ambiente de estudo e de trabalho que nos exige, amolda, direciona.
O que temos em excesso que precisamos abrandar ? O que nos falta que devemos desenvolver ou expandir ?
É importante reconhecer a influência ( positiva ou negativa ) das pessoas em nossa formação, mas é essencial acreditar que , na verdade, somos nós os principais responsáveis por nossa lapidação. Precisamos descobrir o poder de se modificar e buscar maneiras de viver melhor. Culpar os outros pelas próprias limitações pode ser mais confortável, mas resulta na perda da possibilidade de se construir.
É preciso que cada um pense assim : qual será o trabalho de lapidação necessário para que eu me coloque no caminho do equilíbrio interior , que vai me proporcionar paz, serenidade e força ?
Esse é um trabalho para a vida inteira : para crianças, jovens, adultos e idosos. E que ninguém se iluda : é uma tarefa cansativa e, às vezes, muito dolorosa ! Mas só ela nos permite atravessar os períodos difíceis sem nos quebrar por dentro e viver com mais alegria os períodos fáceis.
Texto retirado do livro : Histórias da Vida Inteira, de Maria Tereza Maldonado
9 de junho de 2010
31 de maio de 2010
O PODER DA ESCUTA
As pessoas vem curando umas às outras desde o princípio. Muito antes de existirem cirurgiões, psicólogos, oncologistas e clínico-gerais, já cuidávamos uns dos outros. A cura de nossos males presentes pode estar em reconhecer e recuperar a capacidade que todos nós temos para curar uns aos outros, no poder imenso que há na mais simples das relações humanas : a força de um toque, a benção de um perdão, a graça de alguém aceitá-lo exatamente como você é e descobrir em você uma bondade insuspeitada.
Todo o mundo que está vivo sofreu. É a sabedoria adquirida com nossas feridas e com nossas experiências de sofrimento que nos capacita para curar. Os conhecimentos especializados curam, mas pessoas que sofrem são mais bem curadas por outras pessoas que sofrem . Somente outras pessoas sofredoras podem compreender o que é necessário, pois a cura para o sofrimento está na compaixão, não nos conhecimentos especializados.
Ouvir é o mais antigo e talvez o mais poderoso instrumento de cura. Com frequência , é pela qualidade do modo como ouvimos e não pela sabedoria de nossas palavras que conseguimos efetuar as mudanças mais profundas nas pessoas que nos cercam.Quando ouvimos , oferecemos com nossa atenção uma oportunidade para a integridade. Nossa atenção cria um santuário para as partes sem lar que existem dentro da outra pessoa. As que foram negadas, desprezadas , desvalorizadas por ela mesma e pelos outros. As que estão ocultas.
Nesta cultura, a alma e o coração com frequência ficam sem lar.
Ouvir cria um silêncio sagrado . Quando você escuta generosamente as pessoas, elas podem ouvir a verdade em si mesmas, mesmo que pela primeira vez. E no silêncio de ouvir você pode conhecer a si mesmo em toda pessoa. Por fim, você pode acabar sendo capaz de ouvir, em todas as pessoas e além de cada uma, o oculto cantando baixinho para si mesmo e para você.
Retirado do livro : HISTORIAS QUE CURAM , de Rachel Naomi Remen
Todo o mundo que está vivo sofreu. É a sabedoria adquirida com nossas feridas e com nossas experiências de sofrimento que nos capacita para curar. Os conhecimentos especializados curam, mas pessoas que sofrem são mais bem curadas por outras pessoas que sofrem . Somente outras pessoas sofredoras podem compreender o que é necessário, pois a cura para o sofrimento está na compaixão, não nos conhecimentos especializados.
Ouvir é o mais antigo e talvez o mais poderoso instrumento de cura. Com frequência , é pela qualidade do modo como ouvimos e não pela sabedoria de nossas palavras que conseguimos efetuar as mudanças mais profundas nas pessoas que nos cercam.Quando ouvimos , oferecemos com nossa atenção uma oportunidade para a integridade. Nossa atenção cria um santuário para as partes sem lar que existem dentro da outra pessoa. As que foram negadas, desprezadas , desvalorizadas por ela mesma e pelos outros. As que estão ocultas.
Nesta cultura, a alma e o coração com frequência ficam sem lar.
Ouvir cria um silêncio sagrado . Quando você escuta generosamente as pessoas, elas podem ouvir a verdade em si mesmas, mesmo que pela primeira vez. E no silêncio de ouvir você pode conhecer a si mesmo em toda pessoa. Por fim, você pode acabar sendo capaz de ouvir, em todas as pessoas e além de cada uma, o oculto cantando baixinho para si mesmo e para você.
Retirado do livro : HISTORIAS QUE CURAM , de Rachel Naomi Remen
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terapia
29 de maio de 2010
PRECE
Quando rezamos ,não mudamos o mundo, mudamos a nós mesmos. Mudamos nossa consciência. Passamos de um tipo de consciência individual, isolada, voltada para as coisas práticas , para uma conexão mais profunda com a realidade, o mais abrangente possível. E então, a questão:
“Como você se recobrou ? “ torna-se mais uma questão sobre mistério do que sobre eficácia. Um tipo de questão muito diferente.
Em seu aspecto mais profundo, a prece é uma declaração sobre a causalidade.
Recorrer a uma prece é libertar-se da arrogância e vulnerabilidade de uma causalidade isolada e individual. Quando rezamos, paramos de tentar controlar a vida e nos lembramos de que pertencemos a ela. É uma oportunidade de vivenciar a humildade e reconhecer a graça.
Às vezes, as preces mais poderosas são também as mais simples. Certa vez, quando eu estava deitada na minha mesa de operação à espera da anestesia, um dos cirurgiões pegou minha mão e perguntou se eu gostaria de juntar-me a ele e à sua equipe em uma prece. Espantada, assenti com a cabeça. Ele reuniu a equipe ao redor da mesa de operação para um momento de silêncio, após o qual ele disse serenamente :
"Que possamos ser ajudados a fazer o que for mais certo"
Essa prece tradicional dos índios americanos parece um modo bastante simples de resignar-se à suprema causalidade. Por meio dela, em uma sala de cirurgia equipada com o a mais avançada tecnologia, não estamos sozinhos em casa. O alento que o cirurgião me ofereceu foi autentico. Senti meus temores em relação ao resultado dissipar-se , e adormeci com a anestesia apegando-me àquelas poucas palavras, com a mais profunda sensação de paz. Assim como todas as preces genuínas, esta prece é um modo poderoso de acolher a vida, encontrando um lar em qualquer resultado e lembrando que pode haver razões além da razão.
A prece é um movimento do domínio para o mistério. Eu costumava orar por meus pacientes. Hoje, oro também por mim. Às vezes, rezo por compaixão, porém com mais freqüência rezo para não causar dano, a grande qualidade espiritual incorporada ao juramento de Hipócrates. Como ser humano, sei que nunca posso esperar ter a profundidade e amplidão de perspectiva para saber se qualquer uma de minhas ações irá em última análise causar mal ou curar. Contudo, minha esperança é poder ser usada para atender um propósito santo sem jamais ficar sabendo. Por isso, às vezes, antes de atender um paciente, faço uma pequena prece sem palavras : Compreender o sofrimento está além de mim.Compreender a cura, também. Mas neste momento, estou aqui. Use-me.
Retirado do livro : HISTÓRIAS que curam , de Rachel Naomi Remen
28 de maio de 2010
O POTE RACHADO
Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.
Autor desconhecido
Retirado do site "POSSIBILIDADES"
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.
Autor desconhecido
Retirado do site "POSSIBILIDADES"
26 de maio de 2010
A ENERGIA SEGUE O PENSAMENTO
"Nosso pensamento e vontade são, na verdade, o que regem nossa vida. E , curiosamente, na maior parte das vezes estamos concentrados no que não está dando certo, naquilo que está agindo contra nossas vidas. Parece mais fácil fazer um pacto com o inimigo. Gastamos mais tempo com aquilo de que não gostamos do que com o inverso.
Transpondo essa informação para a vida de todos nós, podemos inferir que, muitas vezes, nossa dor , nossos problemas, nossas pequenezas ocupam mais espaço em nossa vida do que deveriam. Tornamos camundongos em elefantes, vitalizamos nosso inimigo quando pensamos nele o tempo inteiro , colocamos nossa energia nele, tornando-o presente e atuante em nosso dia-a-dia.
Nas horas em que tudo parece obscuro não vemos nossos amigos, enxergamos apenas os que agem contra o nosso progresso, e assim perdemos a fé naqueles com quem poderíamos contar. E tudo aquilo que não é nutrido por nossa energia, por nossa fé, esvazia-se e se esvai."
Fonte: Livro “Estações da Vida" Histórias de Solidariedade e Esperança.
Transpondo essa informação para a vida de todos nós, podemos inferir que, muitas vezes, nossa dor , nossos problemas, nossas pequenezas ocupam mais espaço em nossa vida do que deveriam. Tornamos camundongos em elefantes, vitalizamos nosso inimigo quando pensamos nele o tempo inteiro , colocamos nossa energia nele, tornando-o presente e atuante em nosso dia-a-dia.
Nas horas em que tudo parece obscuro não vemos nossos amigos, enxergamos apenas os que agem contra o nosso progresso, e assim perdemos a fé naqueles com quem poderíamos contar. E tudo aquilo que não é nutrido por nossa energia, por nossa fé, esvazia-se e se esvai."
Fonte: Livro “Estações da Vida" Histórias de Solidariedade e Esperança.
25 de maio de 2010
UMA BOCA SEMPRE ABERTA E UM BURACO NO ESTÔMAGO
A pessoa vive infeliz, insatisfeita, angustiada. Mexe para cá, remexe pra lá, e há sempre aquela sensação incômoda de que está faltando alguma coisa.
"Será que é comida ? Ai, essa fome que não acaba ! É mais um docinho, um chocolate, uma fatia de bolo, outro sanduíche...."
"Eu tenho tão pouca roupa no armário...Nossa, que vestidos lindos, vou comprar três !"
"Estou chateada, mamãe não quis comprar aquele brinquedo que eu vi na loja..."
Por mais que a pessoa tenha, nunca é o bastante. Nada preenche o buraco do amor que não foi sentido, do abraço que não aqueceu , do olhar que não trouxe a alegria do contato.Ela não conseguiu ganhar aquela confiança de que , se esperar, vem; se buscar, acha; de que vai receber aquilo de que precisa e que isso será suficiente para satisfazê-la.
Ao contrário : surge a inquietação , aquele vai-pra-lá-vem-pra-cá, a necessidade constante de pedir, devorar, exigir, engolir inteiro. "Ah, consegui mais isso !"
E fica contente por pouco tempo:aquilo logo perde a graça e ela volta a pensar no que ainda não tem , no que falta, com aquela boca aberta do "quero mais, quero agora!"
É claro que a falta existe. Precisamos conviver com ela e perceber que há muitas coisas que nos preenchem.
"As melhores coisas da vida não são COISAS"
Retirado do livro HISTÓRIAS DA VIDA INTEIRA , de MARIA TEREZA MALDONADO.
"Será que é comida ? Ai, essa fome que não acaba ! É mais um docinho, um chocolate, uma fatia de bolo, outro sanduíche...."
"Eu tenho tão pouca roupa no armário...Nossa, que vestidos lindos, vou comprar três !"
"Estou chateada, mamãe não quis comprar aquele brinquedo que eu vi na loja..."
Por mais que a pessoa tenha, nunca é o bastante. Nada preenche o buraco do amor que não foi sentido, do abraço que não aqueceu , do olhar que não trouxe a alegria do contato.Ela não conseguiu ganhar aquela confiança de que , se esperar, vem; se buscar, acha; de que vai receber aquilo de que precisa e que isso será suficiente para satisfazê-la.
Ao contrário : surge a inquietação , aquele vai-pra-lá-vem-pra-cá, a necessidade constante de pedir, devorar, exigir, engolir inteiro. "Ah, consegui mais isso !"
E fica contente por pouco tempo:aquilo logo perde a graça e ela volta a pensar no que ainda não tem , no que falta, com aquela boca aberta do "quero mais, quero agora!"
É claro que a falta existe. Precisamos conviver com ela e perceber que há muitas coisas que nos preenchem.
"As melhores coisas da vida não são COISAS"
Retirado do livro HISTÓRIAS DA VIDA INTEIRA , de MARIA TEREZA MALDONADO.
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carencia afetiva
LUGAR DE ENCONTRO
"De todas as maneiras pelas quais as pessoas lidam com o sofrimento- negação , racionalização, espiritualização, substituição -poucas são lugares de abrigo.Muitas delas nos desconectam da própria vida que desejamos abençoar e servir ,impedindo-nos de cumprir nossos desígnios. O mais triste disso tudo é que não conseguimos nos esconder do sofrimento.Ele faz parte do fato de estarmos vivos. Se nos escondermos teremos que sofrer sozinhos.
Se quisermos evitar o sofrimento, teremos que pagar o alto preço de nos distanciarmos da vida. Para viver integralmente é preciso olhar com respeito para o nosso próprio sofrimento e para o sofrimento dos outros. Nas profundezas de cada ferida à qual sobrevivemos, está a força necessária para viver. A sabedoria oferecida por nossas feridas é um lugar de abrigo. Encontra-lo não é tarefa para os fracos de coração. Mas a vida também não é."
Trecho do livro : AS BENÇÃOS DO MEU AVÔ, de RACHEL NAOMI REMEN
Se quisermos evitar o sofrimento, teremos que pagar o alto preço de nos distanciarmos da vida. Para viver integralmente é preciso olhar com respeito para o nosso próprio sofrimento e para o sofrimento dos outros. Nas profundezas de cada ferida à qual sobrevivemos, está a força necessária para viver. A sabedoria oferecida por nossas feridas é um lugar de abrigo. Encontra-lo não é tarefa para os fracos de coração. Mas a vida também não é."
Trecho do livro : AS BENÇÃOS DO MEU AVÔ, de RACHEL NAOMI REMEN
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