"Nosso pensamento e vontade são, na verdade, o que regem nossa vida. E , curiosamente, na maior parte das vezes estamos concentrados no que não está dando certo, naquilo que está agindo contra nossas vidas. Parece mais fácil fazer um pacto com o inimigo. Gastamos mais tempo com aquilo de que não gostamos do que com o inverso.
Transpondo essa informação para a vida de todos nós, podemos inferir que, muitas vezes, nossa dor , nossos problemas, nossas pequenezas ocupam mais espaço em nossa vida do que deveriam. Tornamos camundongos em elefantes, vitalizamos nosso inimigo quando pensamos nele o tempo inteiro , colocamos nossa energia nele, tornando-o presente e atuante em nosso dia-a-dia.
Nas horas em que tudo parece obscuro não vemos nossos amigos, enxergamos apenas os que agem contra o nosso progresso, e assim perdemos a fé naqueles com quem poderíamos contar. E tudo aquilo que não é nutrido por nossa energia, por nossa fé, esvazia-se e se esvai."
Fonte: Livro “Estações da Vida" Histórias de Solidariedade e Esperança.
26 de maio de 2010
25 de maio de 2010
UMA BOCA SEMPRE ABERTA E UM BURACO NO ESTÔMAGO
A pessoa vive infeliz, insatisfeita, angustiada. Mexe para cá, remexe pra lá, e há sempre aquela sensação incômoda de que está faltando alguma coisa.
"Será que é comida ? Ai, essa fome que não acaba ! É mais um docinho, um chocolate, uma fatia de bolo, outro sanduíche...."
"Eu tenho tão pouca roupa no armário...Nossa, que vestidos lindos, vou comprar três !"
"Estou chateada, mamãe não quis comprar aquele brinquedo que eu vi na loja..."
Por mais que a pessoa tenha, nunca é o bastante. Nada preenche o buraco do amor que não foi sentido, do abraço que não aqueceu , do olhar que não trouxe a alegria do contato.Ela não conseguiu ganhar aquela confiança de que , se esperar, vem; se buscar, acha; de que vai receber aquilo de que precisa e que isso será suficiente para satisfazê-la.
Ao contrário : surge a inquietação , aquele vai-pra-lá-vem-pra-cá, a necessidade constante de pedir, devorar, exigir, engolir inteiro. "Ah, consegui mais isso !"
E fica contente por pouco tempo:aquilo logo perde a graça e ela volta a pensar no que ainda não tem , no que falta, com aquela boca aberta do "quero mais, quero agora!"
É claro que a falta existe. Precisamos conviver com ela e perceber que há muitas coisas que nos preenchem.
"As melhores coisas da vida não são COISAS"
Retirado do livro HISTÓRIAS DA VIDA INTEIRA , de MARIA TEREZA MALDONADO.
"Será que é comida ? Ai, essa fome que não acaba ! É mais um docinho, um chocolate, uma fatia de bolo, outro sanduíche...."
"Eu tenho tão pouca roupa no armário...Nossa, que vestidos lindos, vou comprar três !"
"Estou chateada, mamãe não quis comprar aquele brinquedo que eu vi na loja..."
Por mais que a pessoa tenha, nunca é o bastante. Nada preenche o buraco do amor que não foi sentido, do abraço que não aqueceu , do olhar que não trouxe a alegria do contato.Ela não conseguiu ganhar aquela confiança de que , se esperar, vem; se buscar, acha; de que vai receber aquilo de que precisa e que isso será suficiente para satisfazê-la.
Ao contrário : surge a inquietação , aquele vai-pra-lá-vem-pra-cá, a necessidade constante de pedir, devorar, exigir, engolir inteiro. "Ah, consegui mais isso !"
E fica contente por pouco tempo:aquilo logo perde a graça e ela volta a pensar no que ainda não tem , no que falta, com aquela boca aberta do "quero mais, quero agora!"
É claro que a falta existe. Precisamos conviver com ela e perceber que há muitas coisas que nos preenchem.
"As melhores coisas da vida não são COISAS"
Retirado do livro HISTÓRIAS DA VIDA INTEIRA , de MARIA TEREZA MALDONADO.
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carencia afetiva
LUGAR DE ENCONTRO
"De todas as maneiras pelas quais as pessoas lidam com o sofrimento- negação , racionalização, espiritualização, substituição -poucas são lugares de abrigo.Muitas delas nos desconectam da própria vida que desejamos abençoar e servir ,impedindo-nos de cumprir nossos desígnios. O mais triste disso tudo é que não conseguimos nos esconder do sofrimento.Ele faz parte do fato de estarmos vivos. Se nos escondermos teremos que sofrer sozinhos.
Se quisermos evitar o sofrimento, teremos que pagar o alto preço de nos distanciarmos da vida. Para viver integralmente é preciso olhar com respeito para o nosso próprio sofrimento e para o sofrimento dos outros. Nas profundezas de cada ferida à qual sobrevivemos, está a força necessária para viver. A sabedoria oferecida por nossas feridas é um lugar de abrigo. Encontra-lo não é tarefa para os fracos de coração. Mas a vida também não é."
Trecho do livro : AS BENÇÃOS DO MEU AVÔ, de RACHEL NAOMI REMEN
Se quisermos evitar o sofrimento, teremos que pagar o alto preço de nos distanciarmos da vida. Para viver integralmente é preciso olhar com respeito para o nosso próprio sofrimento e para o sofrimento dos outros. Nas profundezas de cada ferida à qual sobrevivemos, está a força necessária para viver. A sabedoria oferecida por nossas feridas é um lugar de abrigo. Encontra-lo não é tarefa para os fracos de coração. Mas a vida também não é."
Trecho do livro : AS BENÇÃOS DO MEU AVÔ, de RACHEL NAOMI REMEN
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sofrimento
24 de maio de 2010
APEGO
Meu pai era filho de imigrantes. Trabalhou desde menino, e durante a maior parte de sua vida adulta , teve dois empregos. À noite, muitas vezes adormecia na poltrona, os pés numa bacia de água morna,exausto demais para conversar.Sempre trabalhara para outras pessoas, acatando as condições delas , em funções dos objetivos delas. Uma das primeiras coisas de que me lembro é meu pai me dizendo o quanto é importante ser patrão de si mesmo, estar no controle da própria vida.
Eu estava com quase vinte anos quando ele e mamãe compraram uma casinha em Long Island, e ele se aposentou. Por um momento, seu sonho parecia completo.
Alguns meses depois de ele tomar posse da nossa casa, fui fazer uma visita num domingo e o encontrei dormindo na poltrona, exausto.Uma visão familiar desde a infância para mim, mas eu estava pensando que as coisas tinham mudadOo. Minha mãe contou-me que ele acabar de arrumar um empreguinho, só para poderem manter o lugar em ordem. As coisas estavam sempre se deteriorando.
Na visita seguinte, ele estava de novo dormindo na poltrona.
"Vocês estão se divertindo ?"- perguntei.
"Bem" disse mamãe- "Seu pai teme que alguém arrombe a casa e leve tudo o que trabalhamos para ter.Ele continua a trabalhar, pois quer instalar um sistema de alarme"
Desanimei. Perguntei quanto aquilo custaria. Minha mãe fugiu do assunto e disse que o comprariam em breve . Meses depois, meu pai continuava a parecer esgotado. Preocupada, perguntei quando eles tirariam férias.
Meu pai sacudiu a cabeça .
"Não neste ano- não podemos deixar a casa sozinha."
Sugeri um caseiro. Meu pai ficou horrorizado .
-Ah, não -replicou "Você sabe como são as pessoas.Nem nossos amigos cuidam das nossas coisas do mesmo jeito que cuidam das deles".
Nunca mais meus pais tiraram férias.
No final, eles raramente saiam de casa juntos , nem para ir ao cinema. Podia haver um incêndio ou algum outro tipo de desastre vago e indefinido. E meu pai trabalhou fazendo bicos até morrer. A casa acabou tendo muito mais controle sobre ele do que qualquer um de seus ex-patrões tivera.
Se temermos demais a perda, no final as coisas que possuímos acabarão por nos possuir.
Retirado do livro
"HISTÓRIAS QUE CURAM", de Rachel Naomi Remen
Eu estava com quase vinte anos quando ele e mamãe compraram uma casinha em Long Island, e ele se aposentou. Por um momento, seu sonho parecia completo.
Alguns meses depois de ele tomar posse da nossa casa, fui fazer uma visita num domingo e o encontrei dormindo na poltrona, exausto.Uma visão familiar desde a infância para mim, mas eu estava pensando que as coisas tinham mudadOo. Minha mãe contou-me que ele acabar de arrumar um empreguinho, só para poderem manter o lugar em ordem. As coisas estavam sempre se deteriorando.
Na visita seguinte, ele estava de novo dormindo na poltrona.
"Vocês estão se divertindo ?"- perguntei.
"Bem" disse mamãe- "Seu pai teme que alguém arrombe a casa e leve tudo o que trabalhamos para ter.Ele continua a trabalhar, pois quer instalar um sistema de alarme"
Desanimei. Perguntei quanto aquilo custaria. Minha mãe fugiu do assunto e disse que o comprariam em breve . Meses depois, meu pai continuava a parecer esgotado. Preocupada, perguntei quando eles tirariam férias.
Meu pai sacudiu a cabeça .
"Não neste ano- não podemos deixar a casa sozinha."
Sugeri um caseiro. Meu pai ficou horrorizado .
-Ah, não -replicou "Você sabe como são as pessoas.Nem nossos amigos cuidam das nossas coisas do mesmo jeito que cuidam das deles".
Nunca mais meus pais tiraram férias.
No final, eles raramente saiam de casa juntos , nem para ir ao cinema. Podia haver um incêndio ou algum outro tipo de desastre vago e indefinido. E meu pai trabalhou fazendo bicos até morrer. A casa acabou tendo muito mais controle sobre ele do que qualquer um de seus ex-patrões tivera.
Se temermos demais a perda, no final as coisas que possuímos acabarão por nos possuir.
Retirado do livro
"HISTÓRIAS QUE CURAM", de Rachel Naomi Remen
23 de maio de 2010
JULGAMENTO
Abrimos mão de nossa integridade por várias razões. Entre as mais imperiosas estão as nossas idéias quando ao que é ser uma boa pessoa. Às vezes, não é a aprovação dos outros, mas a de uma escola ou de mentor espiritual que determinam que parte de nós conservamos e que parte escondemos. O "eu" natural, uma interação viva e complexa de características aparentemente opostas, vai diminuindo pouco a pouco, suplantado por algum padrão adquirido de aceitabilidade social e espiritual. Poucas pessoas são capazes de amar a si mesmas como realmente são. Talvez até tenhamos passado a sentir vergonha de nossa integridade.
Partes de nós que talvez tenhamos escondido durante toda a vida, por vergonha, com frequência, são a fonte de nossa cura. Todos fomos ensinados que alguns de nossos modos de ser não condizem com o ponto de vista e os valores comuns da sociedade ou da família em que nascemos. Cada cultura, cada família tem a sua Sombra. Quando nos dizem que "homem não chora" , que as "damas nunca discordam de ninguém", aprendemos a evitar o julgamento renunciando aos nossos sentimentos e pontos de vista.Nós nos fazemos menos inteiros. É tipicamente humano trocar integridade por aprovação.Contudo, as partes que repudiamos não são perdidas, apenas esquecidas. Podemos lembrar nossa integridade a qualquer momento. Ao escondê-la, nós a mantivemos em segurança.
Rachel Naomi Remen, no livro
HISTÓRIAS QUE CURAM .
Partes de nós que talvez tenhamos escondido durante toda a vida, por vergonha, com frequência, são a fonte de nossa cura. Todos fomos ensinados que alguns de nossos modos de ser não condizem com o ponto de vista e os valores comuns da sociedade ou da família em que nascemos. Cada cultura, cada família tem a sua Sombra. Quando nos dizem que "homem não chora" , que as "damas nunca discordam de ninguém", aprendemos a evitar o julgamento renunciando aos nossos sentimentos e pontos de vista.Nós nos fazemos menos inteiros. É tipicamente humano trocar integridade por aprovação.Contudo, as partes que repudiamos não são perdidas, apenas esquecidas. Podemos lembrar nossa integridade a qualquer momento. Ao escondê-la, nós a mantivemos em segurança.
Rachel Naomi Remen, no livro
HISTÓRIAS QUE CURAM .
20 de maio de 2010
DIGA SOMENTE O QUE VOCÊ SENTE
Muita gente não sabe o que dizer quando visita alguém de luto . Estes são os sentimentos que Rita Moran expressou quando perdeu sua filha.
Por favor, não me pergunte se já passou.
Não vai passar nunca.
Por favor, não me diga que ela está em um lugar melhor.
Ela não está aqui comigo.
Por favor, não me diga que pelo menos ela não sofre.
Ainda não entendo porque tinha de sofrer.
Por favor, não me diga que entende o que estou sentindo
A menos que já tenha perdido um filho.
Por favor, não me pergunte se já me sinto melhor.
A desgraça não é uma doença da qual se possa recuperar.
Por favor, não me diga que pelo menos eu a tive por muitos anos.
Que ano você escolheria para que seu filho morresse ?
Por favor, não me diga que Deus nunca envia mais do que podemos suportar.
Por favor, diga só que você sente.
Por favor, diga que lembra da minha filha, se for verdade.
Por favor, deixe-me falar dela.
Por favor, pronuncie o nome da minha filha.
Por favor, só me deixe chorar.
Marcelo Rittner , do livro APRENDENDO A DIZER ADEUS
Por favor, não me pergunte se já passou.
Não vai passar nunca.
Por favor, não me diga que ela está em um lugar melhor.
Ela não está aqui comigo.
Por favor, não me diga que pelo menos ela não sofre.
Ainda não entendo porque tinha de sofrer.
Por favor, não me diga que entende o que estou sentindo
A menos que já tenha perdido um filho.
Por favor, não me pergunte se já me sinto melhor.
A desgraça não é uma doença da qual se possa recuperar.
Por favor, não me diga que pelo menos eu a tive por muitos anos.
Que ano você escolheria para que seu filho morresse ?
Por favor, não me diga que Deus nunca envia mais do que podemos suportar.
Por favor, diga só que você sente.
Por favor, diga que lembra da minha filha, se for verdade.
Por favor, deixe-me falar dela.
Por favor, pronuncie o nome da minha filha.
Por favor, só me deixe chorar.
Marcelo Rittner , do livro APRENDENDO A DIZER ADEUS
MORTE ( Pedro Bial )
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!
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