Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!
20 de maio de 2010
A MELHOR MANEIRA DE LIDAR COM SEUS SENTIMENTOS É SENTI-LOS
Talvez as pessoas lhe dêem as dicas menos práticas sobre como lidar com a morte de um ente querido . Dizem : você está enfrentando muito bem a perda. O que muita gente quer dizer com esse comentário é que você não está chorando demais, ou que não está triste demais, que até parece bem normal .Talvez você esteja sendo estóico. O que quer que os outros digam não é necessariamente a melhor maneira de sentir a dor.
Outra frase que usualmente se escuta é : "Você deve ser forte agora". Geralmente, espera-se que você seja forte para outras pessoas, para sua família. Algumas vezes, lhe dizem para ser forte só pra você mesmo, de forma a conseguir lidar com a dificuldade à sua frente. Pode haver outra intenção
nessas palavras "Não se veja como fraco ou inseguro"
Também costumamos escutar :"Alegre-se . Vai passar logo". Outra tradução para "anime-se" é "animemo-nos". Algumas pessoas não sabem o que fazer quando a outra está triste. Sentem-se desconfortáveis na sua companhia e esse desconforto se duplica se a tristeza se prolongar por muito tempo ( o que é muito comum no período de luto ) . Talvez essas pessoas tentem apressá-lo com comentários e conselhos , como dizendo :
"Vamos acabar com isso o mais rápido que pudermos".Pensam mais neles próprios que em você.
Se você receber esse tipo de conselho, faça um favor a si próprio : não lhes dê atenção. A melhor maneira de enfrentar o luto é estar em contato com as emoções que cruzem o seu caminho. Talvez você carregue muitos sentimentos ou poucos. Eles podem ser suaves, ou fortes, ou tomar qualquer outra forma. Costumam ser imprescindíveis e não um sinal de algo errado com você.De fato, seus sentimentos são um sinal de que está tudo certo com você. Alguém que você ama faleceu e é natural que isso doa. Sua vida e seus hábitos mudaram . Você, portanto, experimenta a dor. Só assim você, pouco a pouco, começa a se sentir novamente mais como "você mesmo" , mais completo, por mais tempo que demore.
Você talvez se sinta triste, mais triste do que acreditava ser possível.Ou então deprimido, inclusive desesperado. Pode sentir medo, mesmo sem entender o porquê.O então uma solidão muito intensa, embora rodeado de gente. Ou quem sabe inesperadamente cansado, facilmente distraído, inexplicavelmente ansioso. É possível que você se revolte com maior facilidade e que sinta raiva dos outros, de si mesmo, de DEUS e até de quem faleceu. Alguns se sentem culpados, seja pelo que disseram ou fizeram, seja pelo que não disseram ou não fizeram.
Outra sensação que é provável que você experimente é a falta total de sentimentos. Você talvez se perceba vazio e entorpecido. É uma reação comum, especialmente no início. É um sinal de que sua mente e seu corpo o protegem, até que você esteja pronto para processar o que aconteceu.
É necessária muita coragem para enfrentar o que se tem pela frente. Demanda uma grande quantidade de energia , em um momento em que suas reservas estão mais baixas que o normal. É necessário força e determinação para realizar as tarefas de rotina nesses dias, sentindo o que você sente. É uma escolha simples. Você pode experimentar seus sentimentos do seu próprio jeito, como chegam a você, ou postergá-los para um outro momento. Mas não poderá protelar para sempre. Em algum lugar , de alguma maneira, em algum momento, seus sentimentos demandarão sua atenção. E então talvez tenham se tornado mais fortes e profundos.
Lembre-se : a melhor maneira de enfrentar seus sentimentos não é evitá-los, e sim caminhar com eles.
Marcelo Rittner
Outra frase que usualmente se escuta é : "Você deve ser forte agora". Geralmente, espera-se que você seja forte para outras pessoas, para sua família. Algumas vezes, lhe dizem para ser forte só pra você mesmo, de forma a conseguir lidar com a dificuldade à sua frente. Pode haver outra intenção
nessas palavras "Não se veja como fraco ou inseguro"
Também costumamos escutar :"Alegre-se . Vai passar logo". Outra tradução para "anime-se" é "animemo-nos". Algumas pessoas não sabem o que fazer quando a outra está triste. Sentem-se desconfortáveis na sua companhia e esse desconforto se duplica se a tristeza se prolongar por muito tempo ( o que é muito comum no período de luto ) . Talvez essas pessoas tentem apressá-lo com comentários e conselhos , como dizendo :
"Vamos acabar com isso o mais rápido que pudermos".Pensam mais neles próprios que em você.
Se você receber esse tipo de conselho, faça um favor a si próprio : não lhes dê atenção. A melhor maneira de enfrentar o luto é estar em contato com as emoções que cruzem o seu caminho. Talvez você carregue muitos sentimentos ou poucos. Eles podem ser suaves, ou fortes, ou tomar qualquer outra forma. Costumam ser imprescindíveis e não um sinal de algo errado com você.De fato, seus sentimentos são um sinal de que está tudo certo com você. Alguém que você ama faleceu e é natural que isso doa. Sua vida e seus hábitos mudaram . Você, portanto, experimenta a dor. Só assim você, pouco a pouco, começa a se sentir novamente mais como "você mesmo" , mais completo, por mais tempo que demore.
Você talvez se sinta triste, mais triste do que acreditava ser possível.Ou então deprimido, inclusive desesperado. Pode sentir medo, mesmo sem entender o porquê.O então uma solidão muito intensa, embora rodeado de gente. Ou quem sabe inesperadamente cansado, facilmente distraído, inexplicavelmente ansioso. É possível que você se revolte com maior facilidade e que sinta raiva dos outros, de si mesmo, de DEUS e até de quem faleceu. Alguns se sentem culpados, seja pelo que disseram ou fizeram, seja pelo que não disseram ou não fizeram.
Outra sensação que é provável que você experimente é a falta total de sentimentos. Você talvez se perceba vazio e entorpecido. É uma reação comum, especialmente no início. É um sinal de que sua mente e seu corpo o protegem, até que você esteja pronto para processar o que aconteceu.
É necessária muita coragem para enfrentar o que se tem pela frente. Demanda uma grande quantidade de energia , em um momento em que suas reservas estão mais baixas que o normal. É necessário força e determinação para realizar as tarefas de rotina nesses dias, sentindo o que você sente. É uma escolha simples. Você pode experimentar seus sentimentos do seu próprio jeito, como chegam a você, ou postergá-los para um outro momento. Mas não poderá protelar para sempre. Em algum lugar , de alguma maneira, em algum momento, seus sentimentos demandarão sua atenção. E então talvez tenham se tornado mais fortes e profundos.
Lembre-se : a melhor maneira de enfrentar seus sentimentos não é evitá-los, e sim caminhar com eles.
Marcelo Rittner
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aprendendo a dizer adeus
19 de maio de 2010
PRIORIDADES
Bem que a gente podia fazer uma reforma para valer, não essas dos políticos e dos papéis, mas alguma coisa pessoal. Vital. A reforma das nossas prioridades. Cansei de ouvir todo mundo reclamando que não tem tempo nem pra respirar, nada mais de conversas à mesa, nada mais de passeio tranqüilo, muito menos de sossego em família.
Amantes, namorados, casais, amigos, todo mundo corre afobadíssimo para cumprir mil tarefas: das quais certamente novecentos e noventa seriam dispensáveis se a gente examinasse direito. Tempo é dinheiro, diziam os pragmáticos, e isso se tornou lei universal. A conta do banco, o colégio dos filhos, o plano de saúde (num pais onde o INSS é meio suicídio andado), o restaurante e o bar, a roupa de grife e a bolsa, até a mochila escolar do momento, sem a qual, é claro, o filho não garante nem que consiga passar de ano. A lista é longa, segundo a preferência de cada um.
Fico imaginando que se a gente fizesse uma faxina em nossos compromissos e deveres, boa parte desapareceria ligeiro no ralo do bom senso, e desapareceria para todo o sempre no nebuloso das nossas iniqüidades mais banais. Sobrariam alguns compromissos, dos quais não há como fugir: provavelmente saúde, prestação do apartamento, escola (a pública estando como está) e alguns outros (poucos).
Comprar não é um dever, quando não se trata do indispensável ou do que faz bem. Comprar pode ser, e tem sido, em grande parte moda, mania, quase neurose. Andar com a roupa do momento pode ser burro e pobre: por que todas as meninas parecendo fantasiadas para desfilarem no mesmo bloco? Por que todas com a mesma sandália só porque alguém na televisão...? Por que pais e mães se sacrificam para poderem dar aos meninos alguns absurdos caros, talvez ridículos? Não quero que meus netos e netas andem muito diferentes de sua turma. Mas não desejaria que seus pais trabalhassem mais horas do que o necessário para lhes permitir algumas insanidades. Não acho que os casais precisem ter apenas, para seu encontro, as poucas horas da noite, exaustos do dia intenso, da hora extra, quem sabe até do trabalho no fim de semana. Se for para sobreviver com dignidade, paciência: muitas vezes tem de ser. Mas muitíssimas vezes não precisaria ser assim. Labutamos como animais para além do que seria humano, e para aquilo que nem é importante: para o fútil excessivo (um pouco de futilidade, sim, ou nos desumanizamos), para o mais do que tolo (um pouco de tolice, sim, ou viramos estátuas). Uma hora menos de trabalho extra por dia - não vou poder comprar aquele tênis importado caríssimo, o menino vai emburrar - pode significar uma hora de carinho, de convívio a mais. Um fim de semana menos de trabalho extra - mas como vou dar aquela roupa caríssima, a menina vai se frustrar, e tem o cursinho de inglês, e o de nem lembro o quê... e a mulher quer aquelas férias naquele hotel caro, e chegou a hora de trocar o carro... - pode representar um encontro onde a gente vai enxergar de verdade o filho, o irmão, a amante, o marido, o amigo.
Ou a si mesmo, ficando quieto na rede, na praça, até na cama, pensando. De bobeira. Olhando a nuvem, o galho de flor pela janela, deitado na grama ou na areia com a cara no sol, sentindo o mundo respirar, e fazendo parte desse ritmo imenso. Sentindo que somos gente, dentro de algo misterioso chamado vida. Reformulando nossos planos, tentando saber o que queremos para nós.
Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.
Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais de meus jeans, camisetas e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranqüila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder. Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento - não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais.
Lia Luft in "Pensar É Transgredir"
Amantes, namorados, casais, amigos, todo mundo corre afobadíssimo para cumprir mil tarefas: das quais certamente novecentos e noventa seriam dispensáveis se a gente examinasse direito. Tempo é dinheiro, diziam os pragmáticos, e isso se tornou lei universal. A conta do banco, o colégio dos filhos, o plano de saúde (num pais onde o INSS é meio suicídio andado), o restaurante e o bar, a roupa de grife e a bolsa, até a mochila escolar do momento, sem a qual, é claro, o filho não garante nem que consiga passar de ano. A lista é longa, segundo a preferência de cada um.
Fico imaginando que se a gente fizesse uma faxina em nossos compromissos e deveres, boa parte desapareceria ligeiro no ralo do bom senso, e desapareceria para todo o sempre no nebuloso das nossas iniqüidades mais banais. Sobrariam alguns compromissos, dos quais não há como fugir: provavelmente saúde, prestação do apartamento, escola (a pública estando como está) e alguns outros (poucos).
Comprar não é um dever, quando não se trata do indispensável ou do que faz bem. Comprar pode ser, e tem sido, em grande parte moda, mania, quase neurose. Andar com a roupa do momento pode ser burro e pobre: por que todas as meninas parecendo fantasiadas para desfilarem no mesmo bloco? Por que todas com a mesma sandália só porque alguém na televisão...? Por que pais e mães se sacrificam para poderem dar aos meninos alguns absurdos caros, talvez ridículos? Não quero que meus netos e netas andem muito diferentes de sua turma. Mas não desejaria que seus pais trabalhassem mais horas do que o necessário para lhes permitir algumas insanidades. Não acho que os casais precisem ter apenas, para seu encontro, as poucas horas da noite, exaustos do dia intenso, da hora extra, quem sabe até do trabalho no fim de semana. Se for para sobreviver com dignidade, paciência: muitas vezes tem de ser. Mas muitíssimas vezes não precisaria ser assim. Labutamos como animais para além do que seria humano, e para aquilo que nem é importante: para o fútil excessivo (um pouco de futilidade, sim, ou nos desumanizamos), para o mais do que tolo (um pouco de tolice, sim, ou viramos estátuas). Uma hora menos de trabalho extra por dia - não vou poder comprar aquele tênis importado caríssimo, o menino vai emburrar - pode significar uma hora de carinho, de convívio a mais. Um fim de semana menos de trabalho extra - mas como vou dar aquela roupa caríssima, a menina vai se frustrar, e tem o cursinho de inglês, e o de nem lembro o quê... e a mulher quer aquelas férias naquele hotel caro, e chegou a hora de trocar o carro... - pode representar um encontro onde a gente vai enxergar de verdade o filho, o irmão, a amante, o marido, o amigo.
Ou a si mesmo, ficando quieto na rede, na praça, até na cama, pensando. De bobeira. Olhando a nuvem, o galho de flor pela janela, deitado na grama ou na areia com a cara no sol, sentindo o mundo respirar, e fazendo parte desse ritmo imenso. Sentindo que somos gente, dentro de algo misterioso chamado vida. Reformulando nossos planos, tentando saber o que queremos para nós.
Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.
Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais de meus jeans, camisetas e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranqüila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder. Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento - não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais.
Lia Luft in "Pensar É Transgredir"
O ALTO CUSTO DE AMAR
Muitos vivem com a crença de que "as melhores coisas da vida são gratuitas". Eu ,particularmente, tive experiências suficientes para aprender que algumas das melhores coisas da vida são dolorosamente caras. Geralmente, parece que as recebemos de presente, mas elas contém um preço invisível. O amor é uma delas. Nós, que perdemos entes queridos, aprendemos com nosso pesar que pagamos um preço enorme pelo amor que deixamos fluir.Pagamos com a moeda da dor: sentindo falta, saudades. Dói muito . A verdade mais amarga é que cada história de amor tem um final triste e, quanto maior o amor , maior será a tristeza quando ele termina. Quando amamos colocamos um refém nas mãos da sorte. Quando nos permitimos gostar de alguém, tornamo-nos vulneráveis à angústia e à desilusão. Qual é nossa opção , afinal ? Não devemos permitir-nos amar ninguém ? Nunca deixar que alguém seja importante para nós ?Negar-nos a maior das alegrias outorgada por Deus ?
E, inclusive , pode-se agregar mais uma consideração . Se um anjo viesse até nós no momento de dor mais profunda e se oferecesse para nos livrar de todo o sofrimento e melancolia , mas também de todas as nossas lembranças do passado e das aventuras que compartilhamos, aceitaríamos o acordo ? Ou consideraríamos essas lembranças tão valiosas , tão infinitamente queridas , que a guardaríamos em nosso coração e recusaríamos comprar o consolo imediato pagando o preço de cedê-las ?
Uma antiga lenda grega faz referência a essa escolha. Fala de uma mulher que foi ao Rio Estige onde Caronte, o balseiro gentil , estava pronto para levá-la a região dos mortos.O homem lembrou-a de que tinha o privilégio de beber a água do Letes, e se o fizesse, ela se esqueceria completamente de tudo o que deixava pra tras.
Ela respondeu ansiosa: "Esquecerei tudo o que sofri". E Caronte objetou :"Mas lembre-se de que também se esquecerá das alegrias". A mulher respondeu : "Esquecerei os meus fracassos". O velho balseiro completou : "E também das vitórias". Ao que ela retrucou :"Esquecerei o quanto foi ferida". "E também o quanto foi amada".
Então a mulher parou para ponderar com cuidado a situação . A história termina nos revelando que ela não tomou a a água do Letes. Preferiu manter suas recordações, mesmo as de dor e sofrimento, em vez de abrir mão das alegrias e amores. Alguém escreveu que "quem não sofreu não foi humano" . A dor passa, as recordaçoes permanecem ; os seres amados partem , mas o sentimento de tê-los tido perdura . E somos muito mais ricos por termos arcado com o alto custo de amar.
Marcelo Rittner
E, inclusive , pode-se agregar mais uma consideração . Se um anjo viesse até nós no momento de dor mais profunda e se oferecesse para nos livrar de todo o sofrimento e melancolia , mas também de todas as nossas lembranças do passado e das aventuras que compartilhamos, aceitaríamos o acordo ? Ou consideraríamos essas lembranças tão valiosas , tão infinitamente queridas , que a guardaríamos em nosso coração e recusaríamos comprar o consolo imediato pagando o preço de cedê-las ?
Uma antiga lenda grega faz referência a essa escolha. Fala de uma mulher que foi ao Rio Estige onde Caronte, o balseiro gentil , estava pronto para levá-la a região dos mortos.O homem lembrou-a de que tinha o privilégio de beber a água do Letes, e se o fizesse, ela se esqueceria completamente de tudo o que deixava pra tras.
Ela respondeu ansiosa: "Esquecerei tudo o que sofri". E Caronte objetou :"Mas lembre-se de que também se esquecerá das alegrias". A mulher respondeu : "Esquecerei os meus fracassos". O velho balseiro completou : "E também das vitórias". Ao que ela retrucou :"Esquecerei o quanto foi ferida". "E também o quanto foi amada".
Então a mulher parou para ponderar com cuidado a situação . A história termina nos revelando que ela não tomou a a água do Letes. Preferiu manter suas recordações, mesmo as de dor e sofrimento, em vez de abrir mão das alegrias e amores. Alguém escreveu que "quem não sofreu não foi humano" . A dor passa, as recordaçoes permanecem ; os seres amados partem , mas o sentimento de tê-los tido perdura . E somos muito mais ricos por termos arcado com o alto custo de amar.
Marcelo Rittner
18 de maio de 2010
TEXTO : FILHO DA TERRA
Às vezes penso que a morte não é inimiga da vida, e sim uma amiga.
Saber que nossa vida tem um limite é o que a torna tão valiosa.Saber que o tempo nos foi emprestado é o que , no melhor dos casos, nos faz encarar como um patrimônio posto a nosso encargo por certo tempo.
Somos como crianças que tem o privilégio de passar um dia em um grande parque, um com muitos jardins e brinquedos, lagos azuis repletos de barcos que navegam sobre ondas tranquilas.É verdade que os dias designados a cada um não tem a mesma duração, nem a mesma luz, nem igual beleza. Alguns têm o privilégio de passar longos dias nos jardins da terra. Para outros, o dia é curto, mais nublado.
Sabemos também que existem tormentas e vendavais que obscurecem o mais azul dos firmamentos, e que há raios de sol que atravessam o mais escuro dos céus de inverno.
Então, para cada um de nós chega o momento quando a enfermeira grande, a morte,toma o homem, o menino pela mão e diz baixinho: "Está na hora de ir para casa, está escurecendo. Chegou a hora de dormir, filho da terra. Venha, você está cansado. Vem, descanse e durma, o dia terminou . As estrelas brilham no céu...."
Joshua Loth Liebman
Saber que nossa vida tem um limite é o que a torna tão valiosa.Saber que o tempo nos foi emprestado é o que , no melhor dos casos, nos faz encarar como um patrimônio posto a nosso encargo por certo tempo.
Somos como crianças que tem o privilégio de passar um dia em um grande parque, um com muitos jardins e brinquedos, lagos azuis repletos de barcos que navegam sobre ondas tranquilas.É verdade que os dias designados a cada um não tem a mesma duração, nem a mesma luz, nem igual beleza. Alguns têm o privilégio de passar longos dias nos jardins da terra. Para outros, o dia é curto, mais nublado.
Sabemos também que existem tormentas e vendavais que obscurecem o mais azul dos firmamentos, e que há raios de sol que atravessam o mais escuro dos céus de inverno.
Então, para cada um de nós chega o momento quando a enfermeira grande, a morte,toma o homem, o menino pela mão e diz baixinho: "Está na hora de ir para casa, está escurecendo. Chegou a hora de dormir, filho da terra. Venha, você está cansado. Vem, descanse e durma, o dia terminou . As estrelas brilham no céu...."
Joshua Loth Liebman
7 de maio de 2010
CARTA PARA MINHA AVÓ, QUE PEDIA PARA EU "PARAR DE PENSAR".....
Acho que a gente esta preparado para "PENSAR NA VIDA" só alguns minutos por dia. Uma meia hora, uma hora no máximo. Mais do que isso , dói.
Dói principalmente quando a gente enxerga coisas que a gente sabe que não combinam mais com nosso jeito de ser , e mesmo assim , insistimos em permanecer no erro.
Eu tenho a "mania" de ser afetiva. Para algumas pessoas,que não estão acostumadas com limites, isso pode ser uma "porta de entrada" para uma "festa" para os quais elas não foram convidadas. Depois , eu acabo tendo que "manda-las" embora pra sempre, da "festa", e da minha vida.
É como a costureira que eu adorava, e que agora está achando que tenho cara de boba e que já pode me explorar.
Ou do colega de trabalho que vive querendo comer o lanche de todo mundo e nunca ajuda nas compras.
E volta e meia estou convivendo com pessoas que já ultrapassaram o meu limite de afeto e até de encheção de saco.
Pronto, já pensei demais por hoje. Chega. Agora vou agir....
Lembro da minha finada avó , que quando me via parada, em qualquer canto , chegava pra mim e pedia :
- Não pensa não, minha filha.
Como se fosse possível.
Dói principalmente quando a gente enxerga coisas que a gente sabe que não combinam mais com nosso jeito de ser , e mesmo assim , insistimos em permanecer no erro.
Eu tenho a "mania" de ser afetiva. Para algumas pessoas,que não estão acostumadas com limites, isso pode ser uma "porta de entrada" para uma "festa" para os quais elas não foram convidadas. Depois , eu acabo tendo que "manda-las" embora pra sempre, da "festa", e da minha vida.
É como a costureira que eu adorava, e que agora está achando que tenho cara de boba e que já pode me explorar.
Ou do colega de trabalho que vive querendo comer o lanche de todo mundo e nunca ajuda nas compras.
E volta e meia estou convivendo com pessoas que já ultrapassaram o meu limite de afeto e até de encheção de saco.
Pronto, já pensei demais por hoje. Chega. Agora vou agir....
Lembro da minha finada avó , que quando me via parada, em qualquer canto , chegava pra mim e pedia :
- Não pensa não, minha filha.
Como se fosse possível.
28 de maio de 2009
BIBLIOTERAPIA

Voces já ouviram falar em BIBLIOTERAPIA ?
Quando eu comecei este blog, TERAPIA LITERÁRIA, queria um blog onde pudesse trocar experiencias com outras leitoras,indicar e receber indicações de livros....
Vou indicar alguns livros que realmente fizeram eu repensar a vida :
1- T.N.T NOSSA FORÇA INTERIOR
Este livro foi uma verdadeira "bomba" na minha vida.....
Ele me ajudou muito a pensar "pra frente". Posso dizer que sou uma pessoa ANTES e DEPOIS do TNT...Se eu passei no meu primeiro vestibular, foi graças a ele...
2- ALEGRIA E TRIUNFO
Este livro realmente me trouxe muita alegria e paz...
3- O PODER INFINITO DA SUA MENTE
A versão do livro O SEGREDO mais antiga, feita por um brasileiro, LAURO TREVISAN
Adoraria também receber sugestões de livros que realmente mudaram a vida de vocês....
E quem quiser saber sobre BIBLIOTERAPIA com mais detalhes, entre no site da LEILA FERREIRA : NÓS MULHERES
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